Embaixador do Brasil na França recebe Comitê pela Constituinte

CONSTITUINTE JÁ!

Na última quinta, dia 09 de outubro, o “Comitê Paris pela Constituinte” foi recebido pelo Embaixador do Brasil na França, José Maurício Bustani.

Após agradecer pela realização da audiência, o “Comitê Paris” entregou ao Embaixador um dossiê completo com as fotos e principais matérias da vitoriosa campanha do Plebiscito Popular na França que obteve, no total, 4.621 votos. 97% dos votantes foram favoráveis a uma Constituinte exclusiva e soberana para fazer a reforma política.

Durante a reunião, residentes da Maison du Brésil também fizeram o relato de problemas enfrentados no último período com a Direção da residência universitária, em virtude do seu engajamento no plebiscito. Em resposta, o Embaixador declarou que intercederia para que os conflitos pudessem ser dissipados. 

O “Comitê Paris”, cuja ação foi organizar o Plebiscito Popular, convidando à livre participação da comunidade brasileira, confia que prevalecerá o diálogo e a convivência democrática, com absoluto respeito à liberdade de organização e expressão. 

A entrega do resultado da votação na França ao Embaixador José Maurício Bustani, representante do Governo brasileiro no exterior, antecipa a entrega do resultado oficial do Plebiscito Popular no dia 14 de outubro. Na próxima terça-feira, em Brasília, representantes da campanha no Brasil entregarão o resultado final do Plebiscito à Presidência da República, da Câmara, do Senado e ao STF. Quase 8 milhões de brasileiros participaram do Plebiscito. Entre os dias 13 e 15 de outubro, também em Brasília, acontecerá a V Plenária Nacional do Plebiscito Constituinte, que decidirá os próximos passos da campanha.

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Embaixador receberá Comitê Paris pela Constituinte

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O Embaixador do Brasil na França, José Maurício Bustani, receberá o Comitê Paris pela Constituinte nessa quinta-feira, dia 9 de outubro. Os membros do Comitê entregarão ao Embaixador o resultado da votação no Plebiscito na França, além de um dossiê sobre a campanha.

Mais de 4,6 mil brasileiros participaram do Plebiscito Popular na França, e 97% disseram “SIM” à convocação de uma Constituinte para fazer a reforma política. No total quase 8 milhões de brasileiros participaram da consulta.

Lembramos que as ameaças contra as pós-graduandas e pesquisadoras brasileiras residentes na Maison du Brésil que ajudaram a construir essa vitoriosa campanha na França ainda não foram retiradas. Por isso, é fundamental que as organizações democráticas e mandatos populares continuem manifestando seu apoio: Moção de apoio a estudantes brasileiros na França
O Embaixador José Maurício Bustani também é o presidente do Conselho de Administração da Maison du Brésil. O Conselho é responsável pela gestão da residência estudantil brasileira na Cidade Internacional Universitária de Paris (CIUP) desde 2010, segundo informações do Gabinete da Presidência da CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, uma fundação do Ministério da Educação brasileiro). Além do Embaixador, os presidentes da CAPES e do CNPq também integram aquele Conselho.
#ForçaComitêParis

Saiba mais:
 
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Professora da UFSM encaminha “Moção de apoio à Maison du Brésil”

Profa. Ceres Brum (UFSM), autora do livro "Maison du Brésil: um território brasilerio em Paris"

Profa. Ceres Brum (UFSM), autora do livro “Maison du Brésil: um território brasilerio em Paris”

Os estudantes e pesquisadores brasileiros sob ameaça na França receberam uma manifestação de apoio da Professora Ceres Karam Brum, da Universidade Federal de Santa Maria. A Profa. Ceres, além de ex-residente da Maison du Brésil, é autora de várias publicações sobre a Casa do Brasil na França, com destaque para o livro: “Maison du Brésil: um território brasilerio em Paris“. Leia a mensagem da Professora:

Em atenção ao impacto causado pela inconcebível atuação da direção da Maison du Brésil frente à realização do Plebiscito da Constituinte em Paris, gostaria de manifestar o meu apoio aos pesquisadores envolvidos, relatando um conjunto de fatos e argumentos que podem ser úteis á defesa e salvaguarda da Maison du Brésil como um patrimônio brasileiro em Paris e seus habitantes.

Sou docente da Universidade Federal de Santa Maria e há cerca de 10 anos desenvolvo pesquisa antropológica sobre as Casas do Brasil na Europa e, especialmente sobre Maison du Brésil, da qual fui residente nos anos de 2003/4 (durante meu doutorado) e em 2010 (para a realização da pesquisa de pós-doutorado).

Por ocasião do aniversário de 55 anos da casa publiquei o livro Maison du Brésil: um território brasileiro em Paris. (Porto Alegre: ed Evangraf), que foi lançado em Paris no dia 27 de junho de 2014, numa promoção da APEB-Fr (Associação dos Pesquisadores e Estudantes Brasileiros na França), na Cafeteria da Maison du Brésil. A diretora da casa srª. Monica David tentou sem sucesso impedir o lançamento do referido livro alegando tratar-se de fruto de uma uma pesquisa perigosa.

Territorio-Brasileiro_peq-e1400243924380Durante o mês de junho e julho em Paris em várias visitas à casa mantive contato com diversos membros do Comitê de Residentes e de funcionários da Maison du Brésil o que me auxiliou a constatar as péssimas condições do imóvel fruto da inércia da atual diretora, bem como o seu desrespeito com os residentes.

Retornando ao Brasil recebi a incumbência de entregar ao Ministro da Educação e a CAPES um dossiê à pedido dos residentes. Este mesmo documento foi enviado ao embaixador do Brasil em Paris e protocolado junto a Cidade Universitária. Neste sentido, na Assembléia Geral da 29ª Reunião Bianual da Associação Brasileira de Antropologia, realizada em Natal obtive a aprovação de uma moção de apoio a Maison du Brésil.

Cabe ressaltar que a atitude da direção da Maison du Brésil com relação ao plebiscito da Constituinte não foi um ato isolado. Ela reflete sua inabilidade de gestão e ausência de lucidez para atuar junto aos pesquisadores residentes da Maison du Brésil.

No desejo de colaborar neste processo em prol do respeito a liberdade de opinião. por fim, vale ressaltar que a norma utilizada pela srª Monica David é o regulamento da Cidade Internacional Universitária de Paris (CIUP) datado de 1959 que proíbe manifestações políticas e que foi radicalmente modificado em virtude de maio de 1968 e que se encontra totalmente em desuso embora não tenha sido revogado.”

Leia a moção aprovada pela Assembleia Geral da Associação Brasileira de Antropologia (ABA), em agosto deste ano: http://www.portal.abant.org.br/images/Not%C3%ADcias/16._Apoio_a_Maison_Du_Bresil_-_Ceres_Karam_Brum_a_CAPES_CNPq_e_MEC_-_FINAL.pdf
 
Na moção, encaminhada ao MEC, CNPq, CAPES e IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), a Associação Brasileira de Antropologia alerta que “a casa corre o risco de perder o seu caráter nacional e passar a ser administrada pela Fundação CIUP o que acarretaria a diminuição das vagas para pesquisadores brasileiros em até 70%, além da eliminação de atividades que remetem ao Brasil e suas regiões
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Professor titular da UFRJ defende estudante sob ameaça na França

Francisco de Assis Esteves, Professor Titular do Instituto de Biologia da UFRJ.

Francisco de Assis Esteves, Professor Titular do Instituto de Biologia da UFRJ.

O Professor Titular do Instituto de Biologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Francisco de Assis Esteves [currículo] demonstrou seu “repúdio ao assédio moral realizado pela Direção da Maison du Brésil” contra uma de suas orientandas, que faz estágio na França.

Em Paris, a aluna participou de atividades da campanha do Plebiscito Constituinte e também integrou a Comissão Eleitoral que participaria da reconstrução do Comitê de Residentes. A Diretora da Maison du Brésil, Sra. Monica David, afirmou que a estudante poderia ser processada sob a acusação de “fazer parte de um grupo que quer promover a desordem na Maison du Brésil”.

No relato enviado ao Departamento de Relações Internacionais da CAPES, a aluna afirma que, poucos dias após a realização de uma assembleia de estudantes, foi ameaçada de expulsão pela Diretora da Maison du Brésil.  Em seguida, a Diretora da Maison apresentou, como alternativa à expulsão, a transferência forçada da estudante para a residência de outro país dentro da Cidade Internacional Universitária, o que, além de uma punição, é uma clara tentativa de desarticulação do movimento estudantil na Casa do Brasil na França.

Informado sobre a situação, o Professor Francisco de Assis Esteves, orientador da estudante, deu a seguinte declaração:

A estudante desenvolve pesquisas sob minha orientação desde 2006, quando ingressou no Laboratório de Limnologia da UFRJ para realizar a sua iniciação cientifica. Atualmente, a estudante faz parte do Programa de Pós-graduação em Ecologia da UFRJ, no qual desenvolve seu projeto de doutorado em uma das principais linhas de pesquisa coordenadas por mim. O seu longo histórico acadêmico sob minha orientação me permite comprovar seu excelente desempenho acadêmico, cientifico e profissional como pesquisadora. A bolsa de pesquisa no exterior concedida à estudante brasileira reflete a importância das suas pesquisas no Brasil e é o resultado de anos de dedicação à produção científica.

O assédio moral ao qual a estudante foi submetida nos últimos dias pela Direção da Maison du Brésil prejudica amplamente o trabalho acadêmico individual da pesquisadora, além de causar transtornos psicológicos que trazem diversas consequências para a vida acadêmica, profissional e pessoal da estudante.

A Maison du Brésil é um espaço que deveria oferecer condições adequadas de estudo e moradia no exterior para estudantes da pós-graduação brasileira, contribuindo para a realização de  pesquisas essenciais ao desenvolvimento científico do país, e não causar transtornos injustificáveis durante a estadia dos pesquisadores na França.

Diante do acontecido e relatado pela estudante, solicito o fim imediato do assédio moral, das punições e ameaças contra a estudante. É inadmissível que a estudante seja perseguida por razões que foram caluniosamente utilizadas contra ela pela Diretoria da Maison du Brésil, gerando problemas que repercutem diretamente no desenvolvimento do seu projeto de doutorado e que não estão de acordo com a politica de pesquisa no exterior favorecida pelo Ministério de Educação e pela CAPES.”

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Estudantes brasileiros que participaram do Plebiscito são ameaçados na França

Essa matéria será constantemente atualizada com as últimas informações sobre a mobilização dos estudantes e pesquisadores brasileiros sob ameaça na França.

Tombada pelo Patrimônio Histórico da França, a Maison du Brésil adquiriu o estatuto de "fundação de reconhecida utilidade pública em 19 de maio de 2010", segundo site oficial.

Tombada pelo Patrimônio Histórico da França, a Maison du Brésil adquiriu o estatuto de “fundação de reconhecida utilidade pública em 19 de maio de 2010”, segundo site oficial.

Estudantes, pós-graduandos e pesquisadores, residentes na “Casa do Brasil na França” (Maison du Brésil), residência estudantil brasileira em Paris, relatam que foram ameaçados de expulsão da Maison. O motivo alegado: organização de atividade política (o Plebiscito Popular) na residência, que formalmente é gerida pela CAPES, Fundação do MEC. Soma-se a essa “acusação”, a participação no movimento pela reconstrução do Comitê de Residentes. Segundo a denúncia, os moradores devem deixar seus apartamentos até o dia 1º de outubro, próxima quarta-feira!

Organizações democráticas no Brasil começaram a se mobilizar em defesa dos estudantes e pesquisadores brasileiros, declarando seu apoio incondicional à luta dos residentes da Maison du Brésil:

Pelo fim do assédio moral, das punições e das ameaças de expulsão contra os estudantes e pesquisadores residentes na Maison du Brésil!

Pelo direito à livre organização dos estudantes e pesquisadores no Comitê de Residentes da Maison du Brésil, sem a tutela ou intervenção da Direção da Maison du Brésil e da Cité Internationale Universitaire!

Até o momento, moções de apoio aos estudantes e pesquisadores foram enviadas às autoridades diplomáticas brasileiras na França e membros do Conselho de Administração da Maison du Brésil pelas seguintes organizações:

Central Única dos Trabalhadores – CUT
Juventude Revolução
Movimento das Mulheres Camponesas do Brasil
Rede de Educação Cidadã – RECID
Movimento Organizado dos Trabalhadores(as) Urbanos – MOTU
Casa de Cultura e Defesa da Mulher Chiquinha Gonzaga
Comitê Mineiro do Plebiscito Popular por uma Constituinte
Sindicato dos Trabalhadores do Poder Judiciário Federal em Pernambuco – Sintrajuf-PE
Associação de Alunos da Pós-Graduação da UNESP de Rio Claro
ONG Instituto do Brasil – IdB
Levante Popular da Juventude
Consulta Popular
Centro Acadêmico Amaro Cavalcanti (UFRN)
Comitê do plebiscito popular de Contagem (MG)
Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG)
Sindicato Intermunicipal dos trabalhadores na indústria Energética de Minas Gerais
Vereador David do Rosario Magno – Câmara Municipal de Catas Altas

Clique no link e envie também a moção de apoio aos estudantes e pesquisadores brasileiros: Moção de apoio a estudantes brasileiros na França

suplicyO Senador Eduardo Suplicy escreveu para o presidente da CAPES, Jorge Almeida Guimarães, e para o presidente do CNPq, Glaucius Oliva, solicitando “urgentes providências para que os estudantes brasileiros residentes na Maison Du Brésil não sejam despejados de seus apartamentos amanhã”. O Senador explica que “tal decisão foi motivada pela tentativa de organização de um Comitê de Residentes e que tal decisão prejudicará imensamente todos aqueles que desenvolvem seus trabalhos na França”.

As Moções de Apoio foram endereçada ao Embaixador do Brasil na França, aos presidentes do CNPq e da CAPES (membros do Conselho Administrativo da Maison du Brésil), à Consulesa-Geral do Brasil em Paris e ao Ministro Conselheiro coordenador dos assuntos universitários na Embaixada brasileira.

Representante do Conselho de Administração da Maison se recusa a receber grupo de estudantes, que aguardam do lado de fora da Embaixada do Brasil.

Representante do Conselho de Administração da Maison se recusa a receber grupo de estudantes, que aguardam do lado de fora da Embaixada do Brasil.

Na tarde desta terça-feira (30), uma representante do Conselho de Administração da Maison du Brésil concordou em receber os estudantes ameaçados de expulsão. Entretanto, no horário combinado da reunião, a representante do Conselho descumpriu o acordo e disse que falaria apenas com um dos estudantes. Os demais estudantes sequer foram autorizados a entrar na Embaixada brasileira! A breve reunião serviu apenas para informar que a Direção da Maison tem autoridade para transferir os estudantes para qualquer outra casa na Cidade Universitária (o que eles chamam de “brassage”), e que os moradores da Maison deverão deixar seus apartamentos amanhã. A “brassage” é um procedimento regular de intercâmbio entre as casas da Cité, mas que está sendo usado de maneira punitiva, contra a vontade manifesta dos estudantes e pesquisadores, como uma maneira de desarticular o movimento pela reconstrução do Comitê de Residentes.

22722_437414059654016_195182154_nEm solidariedade e na soma às lutas dos estudantes, a diretoria da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) emitiu nota em apoio aos pesquisadores e estudantes brasileiros residentes na casa. Nessa nota, a secretaria geral da ANPG, Hercilia Melo, informa que entrou em contato com diversos atores sobre a situação enfrentada pelos pesquisadores e estudantes brasileiros na França. Também contatou o MEC, dando conhecimento ao apoio concedido pela ANPG em defesa da organização e participação política dos estudantes. Segundo Hercília, “o Ministro tem conhecimento do caso e vamos continuar acompanhando a manifestação do MEC frente à expulsão dos residentes engajados na campanha pela Constituinte e na reconstrução do Comitê de Residentes da Maison du Brésil”. Leia a nota completahttp://www.anpg.org.br/?p=6349

Os estudantes pedem que mensagens de apoio continuem sendo enviadas. Clique no link e envie também a moção de apoio aos estudantes e pesquisadores brasileiros: Moção de apoio a estudantes brasileiros na França

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Quase 8 milhões de votos no Plebiscito! E agora?

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Apesar de ignorado pelos grandes meios de comunicação, a campanha do Plebiscito Popular por uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político atingiu a marca de 7.7754.436 milhões de votos. Desses, 97,05% (7.525.680) foram favoráveis à convocação da Constituinte.

O balanço foi divulgado em coletiva na sede do Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo, na tarde desta quarta-feira (24), e representa 95% das urnas apuradas. A expectativa é que o número total seja apresentado até o próximo mês.

Os estados de São Paulo (2.617.703 votos), Minas Gerais (1.354.399) e Bahia (774.218) lideraram a participação, que contou também com eleitores em outros países, quesito em que a França lidera (4.621). Os votos brancos e nulos somam 0,37% (28.691).

A entrega oficial dos votos à Presidência da República, da Câmara, do Senado e do STF acontecerá em Brasília entre os dias 13 e 15 de outubro. No mesmo período, acontecerá a 5ª Plenária Nacional da campanha, que definirá os próximos passos a serem seguidos. Isso porque o Plebiscito passou, mas a luta pela reforma política está apenas começando!

Para discutir a continuidade da campanha na França, e dar voz aos trabalhadores e estudantes que lutam por mais direitos e melhores condições de vida no exterior, o Comitê Paris pela Constituinte fará uma reunião aberta a todos os interessados na próxima quarta-feira, dia 1º de outubro, às 19h. A reunião acontecerá no endereço 87, rue du Faubourg Saint-Denis, , 75010, Paris, próximo às estações Château d’Eau (M4), Gare de l’Est (M4, M5, M7) e Strasbourg-Saint-Denis (M4, M8, M9).

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“Casa do Brasil na França” proíbe Plebiscito Constituinte, mas Comitê organiza votação

Tombada pelo Patrimônio Histórico da França, a Maison du Brésil adquiriu o estatuto de "fundação de reconhecida utilidade pública em 19 de maio de 2010", segundo site oficial.

Tombada pelo Patrimônio Histórico da França, em 2010 a Maison du Brésil adquiriu o estatuto de fundação de reconhecida utilidade pública, segundo site oficial. No entanto, papel do MEC e da CAPES na gestão não é claro para os residentes.

A Direção da Casa do Brasil na França, ou Maison du Brésil, onde vivem dezenas de pesquisadores e estudantes brasileiros, em sua maioria pós-graduandos, proibiu a votação no Plebiscito Constituinte. O motivo informado foi o próprio Regulamento da Cité Internationale Universitaire (Cidade Internacional Universitária), onde a Maison está localizada. A votação aconteceu apesar da proibição, e, por uma questão de segurança, foi organizada por membros do Comitê que não são residentes na Maison.

Membros do Comitê organizam panfletagem na Maison du Brésil.

Membros do Comitê organizam material para panfletagem na Maison du Brésil, na Cidade Internacional Universitária.

No dia 4 de setembro, à tarde e à noite, o Comitê passou de porta em porta recolhendo os votos. Dezenas de estudantes votaram a favor da Constituinte exclusiva e soberana para fazer a reforma do sistema político brasileiro. Como uma panfletagem havia sido realizada semanas antes no local, durante o Dia Nacional de Luta pela Constituinte, muitos moradores que já sabiam do Plebiscito votaram pela internet, pois a votação com urnas volantes na Maison não havia sido divulgada pelo Comitê, também por uma questão de segurança.

Em julho deste ano, a Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), através de Gabriel Mendoza, Diretor de Relações Internacionais da entidade, enviou uma mensagem de apoio à luta do Comitê Paris pela Constituinte. Um grupo de pós-graduandos residentes na Maison du Brésil escreveu o seguinte relato, em resposta à mensagem:

“O sucesso do Plebiscito Popular por uma Constituinte Exclusiva e Soberana do sistema político brasileiro na França deveu-se ao engajamento do Comitê Paris pela Constituinte e de todos que, de algum modo, resolveram estabelecer uma conversa com essa proposta e participaram da consulta. Nosso agradecimento aos que em algum momento foram interpelados e pararam para ouvir, discutir, enfim, pensar o sistema político brasileiro.

Fomos acolhidos por algumas organizações para realização da consulta,  mas, infelizmente, não podemos agradecer ao Consulado Brasileiro, à Cité Internationale e nem a gestão da Maison du Brésil. A esta última, nos referimos à gestão especialmente pois seus moradores – a maioria estudantes brasileiros intercambistas – participaram intensamente, não somente do debate, mas da votação. Entretanto, não foi permitido ao Comitê organizar um local de votação na Maison sob justificativa de que o regulamento da Cité proíbe qualquer forma de manifestação política em seu interior. Argumentamos: não se trata de manifestação política-partidária, estamos fazendo um debate e uma consulta popular. A resposta foi ‘não’. O que nos põe a pensar: a que/quem serve esta regra?

Podemos afirmar seu efeito imediato: a tentativa de desarticulação política dos estudantes que vivem não somente na Maison du Brésil, mas na Cité como um todo. Podemos também falar de um outro efeito, o que se apresenta como resistência a esse regulamento e a uma gestão que somente o endossa: Nós nos articulamos. Debatemos. Votamos. E agora a situação dos moradores da Maison du Brésil é pauta do nosso Comitê.

Esperamos contar com o apoio das centenas de organizações democráticas que ajudaram a construir o Plebiscito Constituinte no Brasil. Nos dirigimos particularmente à Associação Nacional dos Pós-Graduandos (ANPG). A luta dos residentes da Maison du Brésil e dos estudantes intercambistas na França que ajudaram a construir a campanha pela Constituinte não é diferente da luta da ANPG pela aprovação de um Estatuto de Direitos que garanta melhores condições de estudo e pesquisa aos pós-graduandos, pela defesa da universidade pública e dos institutos públicos de pesquisa, enfim, da luta por uma política soberana para o desenvolvimento científico e tecnológico no país.”

No site da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), fundação do Ministério da Educação (MEC), a Casa do Brasil é apresentada como um porto seguro para os pesquisadores e estudantes brasileiros que vem para a França: “Tombada pelo Patrimônio Histórico da França, a Casa brasileira foi construída a partir de um projeto conjunto dos arquitetos Lúcio Costa e Le Corbusier, inaugurada em 1959, na cidade universitária de Paris. Depois de passar por uma restauração no final dos anos 90, a casa voltou a funcionar em 2000 sob a responsabilidade da Capes.”

Ainda segundo a CAPES, “a Casa do Brasil na França oferece apoio e moradia a estudantes e pesquisadores brasileiros, desempenhando um importante papel no desenvolvimento da pós-graduação. Abriga permanentemente, no mínimo, 120 brasileiros que desenvolvem pesquisas em instituições parisienses“.

“Apoio” e “abrigo” não são as palavras mais adequadas, já que a Maison du Brésil cobra dos estudantes alugueis semelhantes aos de apartamentos em regiões centrais de Paris. Na prática, a Casa do Brasil na França funciona como um empreendimento imobiliário privado, com o agravante de possuir um regimento disciplinar que impõe diversos constrangimentos aos residentes. O Artigo 22 do atual regimento, por exemplo, determina que: “A direção ou seus representantes (Pessoal da Maison) se reserva o direito de penetrar nos apartamentos, e isso a todas as horas do dia e da noite, a fim de zelar pelo respeito do presente Regulamento Interno. De qualquer maneira, o residente não pode impedir ao pessoal da Maison a entrada no quarto para necessidades de faxina, manutenção, por razões de segurança ou para verificar a boa aplicação do presente regulamento.

Em uma “Carta Aberta” enviada à Direção da Maison, assinada por mais de 80% dos residentes brasileiros, os estudantes denunciaram: “Este ‘direito’ de acesso irrestrito aos quartos tem sido exercido de forma constante, causando constrangimento aos residentes que são surpreendidos em sua intimidade. (…) Não podemos aceitar que nosso espaço de residência e convivialidade seja paulatinamente cerceado por crescentes vigilâncias, coerções e ameaças. Não podemos aceitar uma cultura do medo que nos aprisione e impeça a vida em comum. Tão pouco podemos aceitar que nossas liberdades individuais e coletivas sejam ameaçadas.

Uma realidade que contrasta com as palavras da Diretora da Maison du Brésil, Monica David, na página de boas-vindas do site da Maison: “A gestão é orientada por metas, ainda que, por vezes, difícil de convergir e / ou coabitar, mas pelo menos dois requisitos são dominantes: a estima e respeito para com os nossos residentes.” Metas?! De que tipo? São essas “metas” que explicam o alto custo dos alugueis e outras taxas abusivas cobradas pela Maison?

Por todo o Brasil, os Comitês Populares criados para construir o Plebiscito e lutar pela reforma política se organizaram em torno das pautas locais (sindicalistas, estudantes quilombolas, indígenas, mulheres, movimento negro, associações de moradores etc). O Comitê Paris pela Constituinte não é diferente. Por isso, em nossos panfletos, nos dirigimos “aos trabalhadores e estudantes brasileiros que lutam por mais direitos e melhores condições de vida na França“. Uma pauta de reivindicações dos estudantes intercambistas está sendo elaborada e deverá ser entregue às autoridades diplomáticas brasileiras junto com o resultado da votação na França. Mais de 4,6 mil brasileiros na França participaram do Plebiscito Constituinte.

O Plebiscito acabou, mas a luta pela reforma política está só começando! Junte-se ao Comitê Paris pela Constituinte! Participe das nossas reuniões e atividades!
VOZ AO POVO! CONSTITUINTE JÁ!

NOTA: A votação também foi proibida no Consulado-Geral do Brasil em Paris. O Comitê Paris pela Constituinte e a Secretaria Operativa Nacional da campanha enviaram ofícios ao Consulado solicitando autorização para instalação das urnas, mas, segundo e-mail enviado ao Comitê pelo Cônsul-Geral Adjunto Rodolfo Braga, “a Justiça Eleitoral informou não ser possível realizar consulta pública em espaço onde funciona repartição consular ou diplomática brasileira durante o período solicitado, em razão das restrições previstas na legislação pertinente“. Entretanto, no Brasil, urnas foram instaladas em diversas repartições públicas, inclusive no Ministério das Relações Exteriores. Com a proibição das urnas no interior do Consulado, o Comitê de Paris realizou a consulta popular com urna volante, durante toda a semana, na calçada do lado de fora do prédio. Somente nessas urnas, quase 200 pessoas votaram no Plebiscito Constituinte.

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